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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Escola de Vela Oceano Floripa - cuidado com o conteúdo que você acessa!

  

Cuidado com o conteúdo que você acessa!

 

Por Marcelo Visintainer Lopes

Instrutor de Vela

Escola de Vela Oceano


Escola de Vela Oceano - professor Marcelo Lopes

 

Um dos principais desafios do educador moderno é conseguir atender as diferentes necessidades da sua sala de aula.

Cada pessoa possui uma maneira diferente de aprender e não há como esperar que todos absorvam os conteúdos com a mesma facilidade.

Quando percebo dificuldades de compreensão procuro adequar com rapidez a minha linguagem.

Lidamos também com diferentes tipos de padrões mentais, inclusive com traumas de infância (afogamento e naufrágio) e outros travamentos que dificultam o processo de aprendizagem.

As dificuldades surgem no momento da realização das tarefas, principalmente quando o aluno se sente sob pressão.

Escolhi o tema de hoje para relatar as mudanças de comportamento que tenho percebido nos últimos anos e que estão mudando totalmente os padrões de aprendizado.

Se percebo resistência ao pronunciar determinados nomes técnicos, minhas orelhas já ficam em pé.

Continuo falando e sigo analisando o comportamento dos alunos na sequência da explicação.

Identifico o problema e passo a realizar perguntas que me fornecem a chave de acesso aos bloqueios mentais (normalmente medo e pânico).

Os bloqueios tem relação direta com alguma coisa que a pessoa ouviu por aí...

Tenho medo do jaibe, usar asa de pomba é perigoso, usar o pau de spinnaker desequilibra o barco etc.

Tenho ouvido tanta coisa absurda que fico espantado!

Ouvir histórias mal sucedidas trava sua mente e produz um enorme prejuízo ao aprendizado.

Minha nova missão de profissional da educação deixou de ser apenas proporcionar conhecimento e prática.

Agora é preciso desbloquear o chip!

Estou bastante satisfeito com os resultados dos recursos que tenho utilizado para inverter o quadro mental e resignificar o medo.

O mais incrível é que descobri que a maioria destes bloqueios aparecem depois que a pessoa começou a assistir canais de vela.

Pasmem!

Para quem não tem nenhuma experiência é impossível separar conteúdos bons e ruins.

Seu cérebro acredita em tudo que você assiste e depois registra que as coisas ruins devem ser evitadas a qualquer custo.

Esta atitude é a proteção natural da sua mente e é justamente isto que limita seus resultados práticos de aprendizado.

Se você está interessado em evoluir rápido e busca uma curva de aprendizado genial, assista pessoas que apresentem resultados concretos.

“O inteligente aprende com os próprios erros e o SÁBIO APRENDE COM OS ERROS DOS OUTROS”.

Minha intenção com esta postagem é justamente chamar sua atenção para o conteúdo que você está assistindo!

Com tanta informação útil e relevante disponível hoje em dia é inaceitável que você perca anos e anos da sua vida assistindo coisas que não fazem o menor sentido.

Desejo que você evolua tecnicamente no menor espaço de tempo possível, porém sem sofrimento.

Eu conheço todos os caminhos e dedico todo o meu tempo para encurtar e suavizar o seu.

Conte sempre comigo!




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Quem veleja tem história #3

 Escola de Vela Oceano Florianópolis

Quem veleja tem história #3
Sobre o desencalhe do veleiro francês na Ilha de Santo Aleixo - PE


Escola de Vela Oceano - Quem veleja tem história #3


Por Marcelo Visintainer Lopes

Instrutor de Vela      

Escola de Vela Oceano

  

Travessia Recife – Salvador.

Eu e alunos (formados e formandos).

  

Sairemos do Recife amanhã logo após o café (ao amanhecer).

As primeiras 24 horas serão de puro desconforto e por esta razão peço atenção redobrada para a alimentação e atitudes em geral.

Preparem-se para o contravento e para uma grande agitação marítima!

Evitem entrar na cabine para pegar bobagens e deixem na mão tudo o que forem precisar de mais imediato (protetor, fotografia, casaco, boné).

Esta foi a fala inicial...

Antes de iniciar qualquer travessia (não importa a distância) eu sempre abordo os temas segurança, alimentação, bons hábitos e consumo de álcool.

O veleiro encontrava-se fundeado dentro da barra para uma noite de ambientação. Preparei o jantar e avisei que iria descansar, mas antes pedi encarecidamente que todos dormissem cedo.

Algo me dizia que não iria rolar... Estavam muito eufóricos com a travessia.

Recém haviam embarcado e eu sabia que a ansiedade não deixaria ninguém descansar direito.

Boa alimentação, uma boa noite de sono, ambientação ao balanço e a não ingestão de álcool são as melhores coisas que a gente pode fazer antes de iniciar uma velejada em mar aberto.

Embora eu sempre aconselhe o melhor, às vezes não funciona!

Acham que é exagero meu e pagam para ver na prática.

Minha principal recomendação/preocupação foi em relação ao álcool.

Muita gente leva combustível extra escondido nas malas... kkkkk

Bebidas alcóolicas causam enjôo com mais facilidade e a previsão do mar agitado poderia ser fatal para o estômago.

Deitei e dormi reto até o amanhecer.

Durante a noite eu não percebi nada de diferente (nenhum barulho e nenhum comportamento inadequado), mas quando acordei para preparar o café da manhã me deparei com “algumas” garrafas vazias (destilados) dentro da pia.

Logo pensei: FFF (aquele palavrão feio).

Olhei para os lados e não vi tripulantes dormindo; vi apenas corpos jogados pelos cantos...

Beleza, eu bem que avisei!

Agora tenho o direito de tocar o terror mesmo!!

Gritei: o café já está servido e em seguida partiremos!

Assim que viramos a barra e o barco começou a subir de proa nas ondas, notei as caras de pavor (estômagos de pavor).

O primeiro candidato desceu rapidamente ao banheiro com alguma desculpa esfarrapada e quando voltou os demais começaram a cair em sequência.

Resultado: desmaiados e amontoados no cock-pit e eu sem tripulação!

Cruzei pelo Cabo de Santo Agostinho e pelo Porto de Suape sem nenhuma pretensão de parar, mesmo sabendo que abrigo, comida e aquecimento seriam as melhores medicações.

Como eu estava P da vida com o descumprimento das orientações, fiz valer o planejamento inicial de não realizar paradas.

Eu tinha outra tripulação completa para embarcar em Salvador e não queria me atrasar.

As condições seriam mais favoráveis a partir do segundo dia e eu sabia que mais cedo ou mais trade eles melhorariam.

O problema é que eu estava bem cansado com mais de 10 horas de cockpit e o disjuntor estava querendo cair.

A região possui muita atividade pesqueira e qualquer descuido poderia me levar para cima de uma rede ou de uma embarcação.

Decidi buscar um local para descansar.

Ao sul de Porto de Galinhas (7 milhas) existe uma ilha chamada Santo Aleixo.

Ela está localizada em frente à foz do Rio Sirinhaém, no município de mesmo nome.

A ilha oferecia o abrigo que eu necessitava, porém não havia resolução suficiente na carta náutica para realizar a aproximação.

Fui seguindo o rumo das águas de tom azul mais escuro, que são as mais profundas, já que dava para perceber bem o contraste entre os tons de azul mais claro.

Consegui abrigar e escolher um bom ponto de ancoragem sem maiores problemas.

As ondas desapareceram e o mar ficou bem calmo.

Com aquela calmaria toda meus tripulantes foram voltando à vida como ursinhos acordando... Kkkkk.

Fui para a cozinha preparar o jantar de recuperação e a galera se motivou a dar um mergulho.

Ficaram ali pela popa relaxando e decidiram nadar até a ilha que estava a uns 200 metros.

Percebi que eles chegaram exaustos na praia e decidi aproximar o barco para facilitar o retorno.

Lancei o ferro uns 50 metros mais próximo e esperei que retornassem.

Enquanto eu os esperava notei que a quilha deu uma tocadinha em algo mais duro do que areia e gritei para acelerar o retorno.

Com todos a bordo, comecei a suspender o ferro e ao iniciar o deslocamento a vante percebi que a quilha estava acomodada entre pedras.

Não ia nem para frente e nem para trás.

Só havia uma solução mais rápida e eficaz: adernar pela adriça e rebocar.

Logo que fundeamos eu vi a presença de barcos de pesca fundeados bem próximos à praia e pensei em pedir ajuda a eles.

Nadei até a ilha e acionei dois barcos que prontamente se colocaram à minha disposição.

Dois barcos trabalhando em sincronia produziriam o efeito que eu desejava e com esforço zero.

Peguei carona com um deles e fomos até o veleiro.

Expliquei aos dois como seria feita a manobra e após o entendimento demos início ao desencalhe.

Pela adriça do balão (e mais 50m de cabo extra), coloquei um dos barcos pelo través de boreste.

O outro barco aguardava com um cabo de reboque amarrado na minha proa.

Ok. Todos prontos?

Ao meu comando: barco de boreste marcha a vante lentamente e barco de proa aguardar.

Coloquei os tripulantes no mesmo bordo para ajudar na adernação e quando a borda começou a tocar na água, dei comando para o barco de proa: a vante lentamente.

Deixei claro para toda a tripulação que a manobra seria uma verdadeira aula de desencalhe e uma excelente oportunidade para aprender o que fazer em situações como aquela.

Se o fundo fosse de areia bastaria utilizar o próprio peso da tripulação, mas aquele caso era diferente.

Se houvesse só um barco de reboque eu o teria colocado no través e dali adernaria e puxaria para fora da pedra ao mesmo tempo.

Uma âncora levada bem longe pela proa faria o mesmo papel do segundo barco, bastando apenas iniciar a puxada pela catraca após a adernação ocorrer.

Encalhes em fundos de areia ou lama são relativamente fáceis de sair, já que não estamos preocupados em arrastar a quilha no fundo.

Em fundos mistos de areia e pedra (que era o caso) ou em fundos só de pedra ou coral, todo o cuidado e zelo com o barco é pouco!

Em menos de um minuto o barco estava solto e com a quilha intacta.

A cena mais engraçada da manobra foi quando eu estava lançando a adriça do balão para o menino do barco de boreste.

Quando eu descrevi a manobra e ele percebeu o tamanho da responsabilidade, ele gritou: arrume uma pessoa mais experiente!

Aquela frase de receio, combinada como pitoresco sotaque do nordeste foram a cereja do bolo da manobra.

Eu o tranquilizei dizendo: calma, eu vou ajudar você na manobra.

Fique tranquilo!

Foi muito divertido (sem sarcasmo) ver a ansiedade daquele jovem pescador frente a uma ação daquelas.

Era a primeira vez que ele fazia aquilo e com certeza ficou com medo de quebrar o mastro, sei lá...

Este tipo de manobra deve ser feita pela adriça que fica na altura do estai de proa.

Se a mastreação é ao tope, qualquer adriça serve, tanto do grande como genoa ou balão.

Quando a mastreação é fracionada devemos usar a adriça do balão ou da genoa, pois do contrário a ponta do mastro pode torcer ou quebrar.

Isto quer dizer que não devemos utilizar a adriça do grande!

Nunca esqueça deste detalhe!

Para o nosso deleite e comentários futuros o episódio ficou conhecido como “O Encalhe do Veleiro Francês”!



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Velejar Floripa - Dicas de Ouro #4 - O planejamento da melhor rota

 Escola de Vela Oceano Florianópolis

O planejamento da melhor rota

 

Por Marcelo Visintainer Lopes

Instrutor de Vela

Escola de Vela Oceano



Escola de Vela Oceano - banner Dicas de Ouro #4

 

Na segunda-feira (21 set) teve início mais um módulo do curso de vela oceânica - M4 (Personal Sailing).

O curso é realizado em dois dias consecutivos com pernoite a bordo (20 horas de prática).

Embora eu inicie a avaliação das condições uma semana antes da saída, a decisão final do destino ocorre minutos antes da partida, após reunião com os tripulantes.

Minha primeira opção sempre é a volta da ilha e a segunda é a região de Porto Belo.

Analisando os modelos e levando em conta os objetivos do curso e também dos contratantes, decidimos velejar para Porto Belo.

O bacana deste destino é que existem diversas opções de abrigo pelo caminho.

Ganchos, Zimbros, Ilha do Macuco (Amendoim) e até mesmo Bombinhas servem de apoio para a travessia.

Com o passar das horas podemos perceber que nem sempre o plano A será o melhor para encarar as condições impostas pelo mar e por isto é importante que tenhamos outros pontos de apoio.

Diversas vezes eu transformei o plano A em outras letras do alfabeto.

A resiliência é uma das bagagens mais importantes na vida de uma velejador!

É normal que ocorra mudança de plano e não há nenhum problema em não alcançar o destino planejado.

No caso específico desta velejada de dois dias, seguir a favor do vento e das ondas foi a nossa opção.

Na ordem das minhas preferências eu prefiro pegar mar a favor na ida e na volta (nem sempre isto é possível).

Minha segunda preferência é pegar condição contrária no primeiro dia e favorável no retorno.

A terceira é velejar a favor no primeiro dia e voltar contra o vento no segundo dia (desde que as condições sejam mais confortáveis).

Analisando a opção de “volta da ilha” entendi que a previsão de vento do segundo dia não era favorável para empurrar o barco pelo lado de fora da ilha, ainda mais com o tamanho de ondulação prevista (2 a 2,5m).

Para o barco andar para frente com mar de popa, o vento deve soprar de moderado a forte, pois do contrário as velas ficam batendo forte de um lado para o outro sem nenhuma pressão e o barco balança sem parar.

A previsão do primeiro dia era de ventos de 15 a 21 kt e no segundo o mar e o vento diminuiriam.

Embora o período estivesse bem alto a ondulação de vento não estava alinhada com o swell primário, produzindo uma ondinha “atravessada” de meio metro.

A volta (terça) seria de contravento, mas eu já havia previsto um retorno tranquilo.

Tudo saiu dentro da previsão e a velejada com o mar mais alinhado foi bem bacana.

Se a previsão estivesse indicando ventos fortes para a volta, com certeza o nosso planejamento não seria este, mesmo com apenas um dia de velejada contra.

Falando em travessias prolongadas:

O impacto constante das ondas sacrifica o casco, a mastreação e também a tripulação.

A adernação do contravento e os movimentos de subida e queda brusca nas ondas dificultam as atividades essenciais a bordo e também diminui o número de beliches úteis.

Se o objetivo estiver bem contra o vento, a velejada envolverá múltiplas cambadas e o tempo de travessia poderá facilmente dobrar ou triplicar, ainda mais se houver correnteza contrária.

É normal ocorrer também a perda na qualidade da alimentação, ainda mais se não houver um cozinheiro ninja a bordo.

A tripulação vai se virando com ovos cozidos, biscoitos, frutas e sanduiches e este tipo de alimento não cumpre as funções de esquentar o corpo e gerar prazer.

O alimento quente é entendido como uma recompensa e a sua produção é essencial para manter a moral da tripulação.

Com a ajuda do forno e de uma panela de pressão, o cozinheiro ninja encara o desafio de cozinhar aos solavancos.

Por estas e por outras é que as velejadas a favor do vento são mais aconselhadas para quem deseja realizar uma viagem dos sonhos.

Existem algumas exceções para um comandante optar por realizar uma travessia contra o vento:

1. Dias de mar calmo, com vento moderado e constante e com um rumo que leve direto ou próximo ao destino.

Com estas condições de mar (se a corrente não for contrária), o barco desenvolverá uma boa velocidade real.

Navegar em um bordo só, direto ao destino e com o mar nestas condições, pode se transformar na “velejada da vida”.

Esta é a mais pura verdade, principalmente no calor do verão.

Neste caso, o vento aparente funciona como um ventilador ligado, fazendo com que a sensação de calor diminua.

2. Quando não houver outra opção por causa de agenda...

Data marcada para chegada, tripulantes com passagem marcada etc.

3. Locais onde a predominância do vento é sempre contra.

Daí realmente não existe outra maneira!

Velejar no contravento às vezes não é tão ruim, mas a ansiedade pode levar o comandante a tomar a decisão errada.

Se der para esperar pela mudança do vento, espere!

Se der para cancelar a missão, cancele!

Se não der para esperar, procure tripulantes que possam ajudar de verdade!

Estude friamente a possibilidade de enviar o barco de outra maneira.

Lá no sul é muito comum o pessoal optar pelo transporte de caminhão para não ter que sair pela barra de Rio Grande.

Planejamento e bom senso!

Tem um ditado na vela que diz: é melhor se arrepender de não ter ido do que se arrepender de estar lá!

A sensação de que “teria sido bom” é bem melhor do que o arrependimento de estar no lugar errado na hora errada.

 

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Volta ao mundo de veleiro - experiência compartilhada Escola de Vela Oceano apresenta:

 Travessia Oceânica em Florianópolis

A Escola de Vela apresenta a segunda edição da travessia com Flávio Jardim e Marcelo Lopes.

Uma oportunidade única de descobrir o que está por trás das grandes navegações.

As melhores rotas, os melhores barcos, as melhores épocas do ano e muito mais...

 

Escola de Vela Oceano - banner da travessia oceânica de dezembro


Imperdível!

Florianópolis – 2ª edição nos dias 11, 12 e 13 de dezembro.

O recordista do Guiness Flávio Jardim e o instrutor de vela Marcelo Lopes dividindo suas experiências náuticas a bordo de uma travessia oceânica.

Flávio é o brasileiro mais jovem a completar uma volta ao mundo de veleiro!

Serão três dias de muita história e compartilhamento de experiências.

Mais de 100 milhas entre Garopaba (limite sul) e Itajaí (limite norte).

As inscrições já estão abertas e incluem apostila, pernoites a bordo e alimentação completa.

Corre lá no whatsapp e reserva já a sua vaga, pois serão somente 4 (quatro) os felizardos da vez!!

48 988113123 – Marcelo Lopes



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