Contato

Base Florianópolis - Santo Antônio de Lisboa
Prof. Marcelo Visintainer Lopes
fone: (48) 988.11.31.23



terça-feira, 1 de setembro de 2020

Quem veleja tem história #2 - parte 1

Quem veleja tem história #2 – parte 1

Perrengue no translado Salvador – Vitória

As imagens são de André Larréa



Por Marcelo Visintainer Lopes

Instrutor de Vela  

Escola de Vela Oceano


Ano: 2010

Veleiro: Delta 36’

Missão: translado

Trecho da parte 1: Salvador - Abrolhos

Tripulantes: André, Leandro e Carlos.

Comandante: Marcelo Lopes 


Começando a travessia...

Desatracamos do Centro Náutico da Bahia em direção ao posto flutuante próximo do Forte São Marcelo.

Completamos o tanque e enchemos as demais bambonas com mais de 250 litros de algum combustível que deveria ser diesel.

Tudo pronto, barco abastecido, vela grande para cima e adeus Salvador.

Seguimos no motor por mais alguns minutos e em seguida abrimos a genoa, já com a proa no rumo de Abrolhos.

As ilhas do arquipélago estavam há dois dias de viagem (cerca de 300 milhas) e esta era a primeira parte da missão.

A ideia era realizar um registro fotográfico da fauna e da flora de Abrolhos.

Um dos meus tripulantes veio a bordo especificamente para registrar a expedição (@andrelarrea).

A parada no arquipélago também seria de descanso e espera pela passagem da segunda massa de ar vinda do sul.

Antes da saída da baia de Todos os Santos veio a primeira surpresa: nossa genoa explodiu como um pepel. Não havia vento para toda aquela destruição. No momento havia apenas 15kt, mas as costuras (apodrecidas) não resistiram.

O interessante é que poucos dias antes eu havia ido e voltado a Fernando de Noronha com esta vela e sempre com ventos próximo dos 20kt.

Arriamos o restos mortais da genoa e trocamos por outra que achei no paiol.

A única vela reserva era uma buja de kevler e logo percecbi que ela não fazia parte do enxoval original do barco.

Fazer o que?

Pelo menos era uma vela forte.

Logo na subida já comecei a rir do seu tamanho minúsculo, se comparada à genoa anterior.

Nem poderia imaginar que aquela velinha nos salvaria logo ali na frente.

O vento de popa e a asa de pomba nos empurravam ladeira a baixo com excelentes médias de velocidade (7kt nas primeiras 24 horas).

Uma velejada dos sonhos com muita música brasileira, boa comida e muitas risadas.

O vento soprava constante na casa dos 20kt e o mar variava entre 1,5m e 2,0m.

Disputas de quebra de recorde de velocidade nas surfadas nos mantiveram ligados por um longo período, até o vento acabar.

A brincadeira durou praticamente 24 horas e nas 12 horas seguintes o vento perdeu a força até acabar.

Havia a previsão da entrada de uma frente e por isto escolhemos a parada estratégica em Abrolhos.

O vento parou e virou, antes de conseguirmos alcançar o abrigo das ilhas.

Com o vento já entrando forte e na cara, ligamos o motor e enrolamos a genoa para tentar aproximar ao máximo do rumo.

Mantínhamos a vela grande sempre cheia para ajudar o motor e assim fomos galgando algumas milhas, até o motor começar a perder a potência.

Ainda faltavam umas 20 milhas e não podíamos mais contar com o motor. Abrimos a genoa e seguimos velejando por mais umas 12 horas.

Uma forte corrente contrária fazia despencar a nossa velocidade real e por isto demoramos tanto tempo para completar aquele pequeno trecho.

Volta e meia eu ligava o motor para ver se ele voltava ao normal, mas nada diferente acontecia. Ao acelerar ele perdia a potência...

Alcançamos Abrolhos ao amanhecer e logo jogamos ferro.

Fiz contato com a ilha e pedi licença para desembarcar a “equipe de fotografia. Desembarque aceito!

Quando chegamos havia apenas um barco fundeado naquela ancoragem. Chamei-o pelo rádio e perguntei se por acaso não havia alguém que pudesse me ajudar com o motor.

Era o barco de uma operadora de mergulho e dentro dele havia apenas um tripulante. O resto da tripulação e os mergulhadores estavam todos na água.

Aquele único ser humano que encontrava-se a bordo era o mecânico do barco. E tem gente que não acredita em Deus! Rsrsrsrs

                                               Escola de Vela Oceano 

O rapaz de nome “Digão” veio a bordo com todas as suas ferramentas, mangueiras e alguns litros de óleo diesel filtrado.

Passamos a manhã inteira mexendo no motor e realizando os testes de força. Digão descobriu que o nosso diesel estava completamente contaminado de água salgada.

Havia um pouco de diesel na água salgada.

Sim, isto mesmo!

Não era água no diesel e sim diesel na água. Havia muito mais água do que diesel.

Enfim, depois de um dia inteiro de tentativas Digão chegou ao veredito aproximado: deu ruim nos bicos injetores...

Perdemos o motor!

A perna seguinte seria toda de contravento e o nosso destino era o conturbado Porto de Vitória.

Fazer o quê?

No final desta mesma tarde que fundeamos em Abrolhos, suspendemos o ferro e partimos, sem motor, rumo a Vitória.

A frente havia acalmado e seguimos com pouco vento e com muita correnteza contrária...

Como a história é meio extensa eu vou concluir na outra postagem.

 Até lá!

Escola de Vela Oceano - mecânico Digão (centro)

Eu à direita e Leandro Ávila (esquerda)




Vela Oceânica em Florianópolis, Aula de Vela em Floripa, Escolas de Vela no Brasil
Aprenda a velejar em Floripa, Escola de Vela Oceano, Universidade da Vela no Brasil
Veleiro Floripa, Barco à Vela Florianópolis, Charter de Veleiro em Floripa
Como aprender a velejar? Quero aprender a velejar, Velejar é uma arte
Aluguel de barco em Floripa, Aluguel de Veleiro para comerciais e filmes
Curso de Veleiro, Escola de Veleiro, Curso Navegação Costeira, Curso Iatismo
Travessias Oceânicas, Vela de Cruzeiro, Curso de Vela de Cruzeiro
Escola de Iatismo, Vela de Cruzeiro, Vídeos de Veleiro, Vídeos Velejando
Professor Marcelo Visintainer Lopes, Velejar, Onde aprender a velejar?
Escola de Vela Itajaí, Curso de Vela Oceânica Itajaí, Aula de Vela Itajaí
Escola Veleiro Itajaí, Velejar Itajaí, comprar veleiro, vender veleiro, aulas de iatismo
Morar em um veleiro, morar a bordo, quanto custa morar em um veleiro